Mudança de comportamento, por Dr. Roberto Daher


Na semana passada fiz menção à Vitimologia, ciência que, em resumo, estuda o comportamento da vítima frente o crime. Pois bem, vou relatar um caso familiar.

Meu filho era comumente vítima de roubo, foram quatro ou cinco durante a juventude.

Após passar no concurso público e, como eu, tornar-se um policial civil, deixou de ser vítima desta modalidade delituosa. Qual a razão para isso? O fato de andar armado? Pouco provável, pois que, felizmente, nunca teve que sacar de sua arma para evitar o crime.

A resposta certamente é a mudança de comportamento. Como todo bom policial, passou a ser mais atento à movimentação de pessoas e veículos, evitando situações de risco e demonstrando aos criminosos, que igualmente são muito atentos ao comportamento de suas vítimas em potencial, a impossibilidade do assalto.

Uso desse exemplo para tratar de outro assunto, igualmente de sua importância: a polícia local.

Vejo nas redes sociais, se não a maioria dos eleitores, uma grande quantidade, reclamando da postura dos políticos locais, sobretudo os detentores de cargos eletivos.

Consideram-se vítimas destes. E o que fazer para deixarem de ser vítimas? Como meu filho, mudando de comportamento.

Segundo os especialistas, a mudança de comportamento possui seis fases: na primeira delas, denominada fase da pré-contemplação, o indivíduo não consegue enxergar o problema, no que pese todos ao seu redor o percebam.

A segunda fase é a da contemplação. Aqui o indivíduo não só passa a ter consciência do problema, mas identificar que ele tem relação com o seu modo de agir, de se comportar.

A próxima fase é a da preparação, também chamada de decisão ou determinação. Nela, a pessoa, no nosso caso as pessoas, passam a traçar um plano de ação para atacar o problema através de uma mudança comportamental. Acredito que estejamos nessa fase.

A quarta fase é, certamente, a mais importante: a fase da ação. O sujeito pratica novas ações, cessando o comportamento prejudicial que tinha até então.

As quitas e sextas fases são, respectivamente, a manutenção e a recaída, que, por ora, não merecerão uma análise mais profunda.

A população paulinense parece haver reconhecido o problema, o momento político que passamos, percebendo que somente com a mudança de seu comportamento a situação que hoje vivenciamos pode ser alterada.

Vender seu voto por cesta básica, pagamento de uma conta de energia ou de água, vai causar no futuro um sério problema social, que certamente também o afligirá: falta de educação de qualidade, de saúde, de segurança etc.

Não podemos nos esquecer que muitos dos que reclamam hoje foram displicentes na escolha de seus candidatos, neles votando utilizando de critérios meramente subjetivos – vizinho, familiar, simpatia do candidato e benefícios pessoais por este concedido, por exemplo – deixando de avaliar suas qualidades como gestor público, o que é essencial para se ter um serviço público de excelência.

Mudança de comportamento! Essa é a chave para quem quer deixar de ser vítima do Poder Público ineficiente. E que tal começarmos já na próxima eleição municipal.

Queremos uma Paulínia melhor? Então apoiemos e elejamos para nos representar, no Poder Legislativo e no Poder Executivo, aqueles que demonstrem ter capacidade para isso, não nos deixando levar por critérios subjetivos, como acima expus.

Aquele que quer comprar seu voto, seja de que forma for – não necessariamente em dinheiro ou vantagens, amanhã virará as costas para você, porque a única coisa que ele quer é seu voto e não te representar. Obviamente busca vantagens pessoais e não para a sociedade que deveria representar. Você tem toda a responsabilidade pela cidade que você quer. Pense nisso!