Conhecendo o Câncer de Bexiga – Capítulo 2

Diagnóstico e Biópsia


Para o diagnóstico de câncer de bexiga, são necessários além dos sintomas, como principalmente a hematúria (sangue na urina), exames de imagem como ultrassom, tomografia e ressonância magnética, assim como a biópsia da lesão realizada através de uma cistoscopia e confirmação histológica.

A análise da lesão é necessária para descrever características do tumor, bem como a profundidade. Conhecer o estágio do tumor ajuda na definição do tipo de tratamento e o prognóstico do paciente.

O estadiamento (processo para determinar a localização e a extensão do tumor) do câncer de bexiga é baseado em resultados de exame físico, exames de imagem, biópsia e resultado da cirurgia (ressecção transuretral de bexiga – RTU).

O sistema de estadiamento histológico, baseado na biópsia da lesão, é determinado pela profundidade de invasão tumoral da parede do órgão e dependerá da ressecção (raspagem) do tumor, por via endoscópica, para seu diagnóstico correto. Fragmentos superficiais e profundos da biópsia devem ser analisados separadamente.

O sistema utilizado é o TNM da American Joint Committee on Cancer (AJCC), que é baseado em três critérios para avaliar o estágio do câncer: T (tumor) - indica a presença de tumor e se dissiminou para outra área; N (linfonodo) – indica presença de linfonodo; M (metástase) - indica presença de metástase em outras partes do corpo).

Números ou letras após T, N e M fornecem mais detalhes sobre as características de cada tumor. Os números mais altos significam que a doença está mais avançada.

Assim, estaremos diante de dois tipos de carcinomas: carcinoma de bexiga que não invade a parede do órgão, não-músculo invasivo (CBNMI), classificados em pTa, pT1 e pTis – 70%, 20% e 10%, repectivamente, e Carcinoma de bexiga Músculo Invasivo (CBMI), mais agressivo.

Segue a descrição:

CBNMI (75% dos casos) – Tumores Superficiais de Bexiga: pTa: Carcinoma papilar, pTis: Carcinoma in situ, pT1: Tumor com invasão subepitelial (invasão da lâmina própria).

CBMI (25% dos casos) - Tumores Invasivos de Bexiga: T2: Tumor com invasão da camada muscular. T3: Tumor invade tecido perivesical. T4: Tumor invade órgãos adjacentes. Nesses tumores invasivos de bexiga surgem os linfonodos (N) e metásteses (M).

O prognóstico e tratamento varia de acordo com o estadiamento da doença em geral, as taxas de sobrevida são maiores para pacientes com câncer inicial. Mas, muitos outros fatores também podem afetar esse prognóstico, como idade e estado de saúde do paciente e a resposta da doença ao tratamento.

O prognóstico para cada paciente é específico para suas circunstâncias.


A taxa de sobrevida para o câncer de bexiga que não invade a parede do órgão (pTa, pTis, pT1) é de 88% e, aquele que invade, carcinoma de bexiga músculo invasivo (T2, T3, T4) é em torno de 46%, em 5 anos. Fonte: American Cancer Society. No próximo capítulo, discutiremos o tratamento. Não percam!


Dr. João Carlos Cardoso Alonso é Médico Urologista e Coordenador do Ambulatório de Urologia e Saúde do Homem de Paulínia, Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Mestre e Doutorando pela Unicamp.

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