Contra privatização, paralisações atingem Replan e mais 12 refinarias do País

Funcionários da Replan realizaram na manhã de quarta-feira (27) uma passeata e panfletagem pelo Centro de Paulínia



As paralisações de petroleiros atingiram 13 refinarias do País, dentre as quais a Refinaria de Paulínia (Replan). A paralisação, com prazo até a sexta-feira (29), foi marcada pelo corte na rendição do turno da manhã e atraso na entrada dos funcionários que atuam no setor administrativo. Na prática, isso significa que não houve a troca de turno que ocorreria às 7h30 na segunda-feira (25).

O grupo de trabalhadores que entrou na Replan às 23h30 de domingo não foi rendido pelo grupo seguinte, às 7h30, e por isso, continuou na empresa até as 15h30. A refinaria trabalha com três turnos: às 7h30, às 15h30 e às 23h30. Esse mesmo procedimento foi adotado pelos trabalhadores na Recap, em Mauá, segundo informou ontem o Sindicato dos Petroleiros.

A direção do Sindicato realizou atos em frente das refinarias. Em Paulínia, parte do setor de administração marcou presença na mobilização, com adesão em massa do pessoal do turno.

“Essa greve tem caráter de advertência. A ideia é alertar a sociedade para o que está acontecendo com o valor dos combustíveis, que hoje está vinculado ao preço do dólar e do barril de petróleo do mercado mundial. Quem define o preço hoje não é mais o Brasil e sim as petrolíferas internacionais. Nossa greve é para defender também o patrimônio da sociedade e a Petrobras”, afirmou o diretor do Sindicato e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Arthur Bob Ragusa ao Correio Popular.

Os filiados da FUP que aderiram à paralisação estão nos estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia, Espirito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Apesar da paralisação, o abastecimento não estaria sendo ainda prejudicado. Segundo Rangel, não há impacto na produção, porque o processo de atraso nas operações das unidades é feito gradualmente por causa da temperatura e da segurança dos equipamentos.

O coordenador disse que não é possível avaliar quantos trabalhadores aderiram à paralisação. Rangel acrescentou que não há perspectiva de ter algum encontro da FUP com a diretoria da Petrobras para uma possível negociação. A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) não participa da paralisação.

A Petrobras informou que ainda não concluiu uma análise sobre os efeitos da paralisação. “A Companhia está avaliando os possíveis impactos do movimento”, informou. (com Agência Brasil)


Manifestação em Paulínia

Vestidos com seus jalecos da Petrobras, petroleiros da ativa e aposentados do Sindipetro Unificado-SP, junto com apoiadores, realizaram na manhã de quarta-feira (27) uma passeata e panfletagem pelo Centro de Paulínia, para “alertar a população sobre as consequências malignas que a privatização das refinarias da Petrobras trará ao Brasil”. A categoria está em greve parcial desde segunda-feira, mas sem afetar a produção. Na quarta (27) a categoria decidiria em assembleia pela continuidade ou suspensão do movimento (uma “greve com data para terminar”), que estava previsto para ser encerrado, inicialmente, apenas na sexta-feira (29). A greve exigia o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho mediado pelo TST (Tribunal Superior do trabalho). De manhã, o grupo, com cerca de 100 pessoas, se concentrou na Praça da Amizade, ao lado do Corpo de Bombeiros. Com faixas defendendo o pré-sal e a Educação e contra a privatização e o alto preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, os participantes seguiram em caminhada pela Avenida José Paulino até a Rua Expedicionário Paulo Emidio Pereira, retornando à praça central. Durante o percurso, o grupo distribuiu panfletos aos trabalhadores do comércio e às pessoas que transitavam pelo local, enquanto o diretor do Sindicato, Gustavo Marsaioli dava o recado em alto som. “Defendemos continuar sendo donos das nossas refinarias. Não podemos permitir que elas sejam vendidas a empresas estrangeiras e não podemos acreditar nessa falsa notícia de que a privatização vai baixar os preços. Não vai, isso é mentira”, argumentou.

“A política de preços praticada pela Petrobras precisa ser revista, porque a empresa tem plenas condições de baixar os valores dos combustíveis, garantindo um preço mais acessível ao povo brasileiro”, afirmou. Marsaioli convocou a sociedade para estar ao lado dos petroleiros nessa importante luta contra a privatização. “A Replan e a Petrobras devem continuar nas mãos do povo brasileiro, porque isso é o melhor para esta cidade e para o país”, declarou. O ato de conscientização no Centro de Paulínia foi encerrado com o grito de guerra “Defender a Petrobras é defender o Brasil”.

Fontes Correio Popular/Tribuna Liberal

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