Petrobras anuncia a venda de oito refinarias de petróleo

O presidente da Petrobras justificou a venda das refinarias pelo baixo retorno da área de negócios (7% ao ano)


A Petrobras informou na última sexta-feira (26) que o Conselho de Administração, aprovou as novas diretrizes para a gestão do portfólio de ativos, que atinge as áreas de refino de petróleo e distribuição de combustíveis. Em vez de apenas 60% do capital de quatro refinarias, sendo duas no Nordeste e duas no Sul, aprovada no governo Temer, serão postas à venda oito refinarias que têm capacidade para refinar 1,1 milhão de barris-dia, metade, da capacidade atual. As novas refinarias à venda são a Gabriel Passos, em Minas Gerais, Isaac Sabbá, em Manaus, e as unidades de Industrialização de Xisto, no Paraná, e a Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR). Na BR Distribuidora a Petrobras vai reduzir a participação atual de 71%. Uma rede de postos no Uruguai também será vendida.

Em entrevista à GloboNews, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, justificou a venda das refinarias pelo baixo retorno da área de negócios (7% ao ano), consumindo capitais que “podem ter maior retorno nos investimentos em exploração e produção de petróleo, como no pré-sal”. Castello Branco disse que “a Petrobras não pretende manter a solidão do virtual monopólio do refino (98%) e da distribuição de combustíveis”, considerando bem-vinda “a companhia de players globais no mercado”.


Paulínia e Reduc mantidas

Ficarão com a Petrobras apenas as refinarias de Paulínia, a maior do país e as de Capuava (Cubatão) e São José dos Campos, no estado de São Paulo e a Reduc, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A nota da companhia não detalha o destino do Comperj, que foi interrompido em 2015 e seria negociado com a chinesa CNOC. Diante da decisão de vender refinarias, a Petrobras já decidiu instalar uma termelétrica em Itaboraí, para aproveitar o gás natural da Bacia de Campos e do pré-sal na Bacia de Santos.

A nota da Petrobras ressalta que as orientações do Conselho de Administração “estão em linha com o Plano de Resiliência, divulgado em 08/03/2019, sendo parte do processo de elaboração do Plano de Negócios e Gestão 2020-2024, que tem previsão de aprovação e divulgação no 4º trimestre de 2019”.

As novas diretrizes consideram a venda de ativos com destaque para o segmento de Refino e Distribuição, incluindo a venda integral da PUDSA, rede de postos no Uruguai, oito refinarias que totalizam capacidade de refino de 1,1 milhão de barris por dia, e a venda adicional de participação na Petrobras Distribuidora (BR), permanecendo a Petrobras como acionista relevante.

Os ativos de refino incluídos neste programa de desinvestimento são: Refinaria Abreu e Lima (RNEST), Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Refinaria Landulpho Alves (RLAM), Refinaria Gabriel Passos (REGAP), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) e

Os projetos de desinvestimento das refinarias, além do reposicionamento do portfólio da companhia em ativos de maior rentabilidade, possibilitarão também dar maior competitividade e transparência ao segmento de refino no Brasil, em linha com o posicionamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e recomendações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os projetos seguirão a Sistemática de Desinvestimentos da Petrobras e terão suas principais etapas divulgadas oportunamente ao mercado.

No caso da BR Distribuidora, encontra-se em estudo a realização de uma oferta pública secundária de ações (follow-on). Atualmente a participação da Petrobras no capital da BR Distribuidora é de 71%.

“As diretrizes estão de acordo com os pilares estratégicos da companhia que têm como objetivo a maximização de valor para o acionista, através do foco em ativos em que a Petrobras é a dona natural visando à melhoria da alocação do capital, aumento do retorno do capital empregado e redução de seu custo de capital”, diz a nota da Petrobras. As informações são da GloboNews e do portal Jornal do Brasil.

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