Quadrilha presa em Limeira controlava rota do tráfico entre MS e SP

Dentre os presos anteriormente está o homem apontado como líder da organização

Segundo a Polícia Federal (PF) de Piracicaba, a organização criminosa alvo da Operação Granel, deflagrada na terça-feira (13), controlava uma rota do tráfico de drogas entre Mato Grosso do Sul, Limeira e a região da capital paulista. Nesta terça, três pessoas foram presas e seis automóveis, três armas de fogo, celulares, computadores e documentos apreendidos em três estados.

Ao todo, foram expedidos pela Justiça 15 mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão e outros 10 de apreensão e sequestro de bens cumpridos simultaneamente em Limeira, São Paulo, Arujá (SP), Dourados (MS) e Fortaleza (CE). Dos 15 alvos de prisão, 11 já estavam presos por detenções anteriores em flagrante.

Dentre os presos anteriormente está o homem apontado como líder da organização. Ele foi detido no Ceará em julho deste ano. De acordo com a PF, o suspeito tem ligação com uma facção que atua dentro e fora de presídios e chegou a comprar uma casa em um condomínio de luxo vendida por um suspeito de participação nos homicídios de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e de Fabiano Alves de Sousa, o Paca. A PF não encontrou relações entre ele e as mortes.

Na terça-feira, duas das três pessoas presas eram alvo de mandado de prisão, enquanto a outra foi detida em flagrante por tráfico de drogas em São Paulo. Houve, ainda, outras duas detenções por porte ilegal de armas, em Limeira e Dourados, em que os suspeitos pagaram fiança e responderão aos processos em liberdade.

Os mandados de sequestro e de apreensão de bens se referem a sete imóveis em Limeira, São Paulo, Guarulhos e Fortaleza, um automóvel de luxo e dois caminhões, no valor estimado de R$ 5 milhões. Segundo a PF, há indícios de que os bens tenham sido comprados com dinheiro do tráfico.

(Polícia Federal de Piracicaba): Máquina apreendida pela PF em Limeira é capaz de embalar 7.200 porções por hora.

Investigação

A investigação começou em agosto de 2017 e, desde então, foram apreendidos 1,1 tonelada de cocaína, 56,7 quilos de maconha, 1,3 tonelada de produtos químicos, um bitrem, dois automóveis e R$ 103 mil em dinheiro.

Os policiais federais fecharam, durante as investigações,três laboratórios de preparação e armazenamento de drogas em Limeira, Nazaré Paulista e Guarulhos. O de Nazaré foi descoberto em março, enquanto o de Guarulhos, em abril deste ano.

Segundo o delegado da PF de Piracicaba, Florisvaldo Neves, a delegacia da cidade e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da capital paulista identificaram, por meio de documentos, prisões e interceptações telefônicas, a ligação entre os suspeitos.

A rota do tráfico

Neves afirma que a droga era adquirida no Mato Grosso do Sul e levada para Limeira (SP), onde era armazenada no laboratório. O local era equipado com quatro máquinas que tinham capacidade para embalar 7,2 mil porções por hora. Além disso, um cômodo subterrâneo secreto estava em construção.

Parte dos entorpecentes ficava na região de Limeira, onde era comercializada, mas a grande maioria levada para os outros dois laboratórios, em Nazaré Paulista e Guarulhos. Nestes dois pontos, os entorpecentes terminavam de ser preparados e eram distribuídos para os pontos de venda na região da capital.

Em Guarulhos, dez fornos de micro-ondas que eram utilizados para secagem das drogas foram apreendidos no laboratório. Dentre os presos na operação, há traficantes responsáveis pela montagem dos laboratórios, pelo transporte com caminhões e até pela lavagem do dinheiro proveniente do tráfico. Uma das apreensões de drogas ocorreu em Limeira no dia 2 de outubro, quando a PF apreendeu cerca de 400 kg de cocaína na m

adrugada e prendeu o motorista. A droga foi encontrada no fundo falso de um caminhão bi trem com placas de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

O nome da operação foi dado por conta do tipo de carga utilizado para transporte dissimulado das drogas, segundo a PF.

Os presos ficam à disposição da Justiça Criminal de Limeira. Segundo a PF, eles serão indiciados por organização criminosa, tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. As penas podem chegar a 53 anos de reclusão.

"A investigação prossegue com a oitiva dos envolvidos e a análise da documentação apreendida", afirma a PF, em nota.

Fonte G1

© 2020 Jornal de Paulínia