Supostas escutas telefônicas expõem esquema de favores em Paulínia

Os veículos Metro Jornal e TV Band obtiveram acesso à escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal

(Internet): Investigações da PF mostram que o prefeito Dixon Carvalho teria

recebido propina de R$ 250 mil para fazer a contratação emergencial da Filadelfia.

Os veículos Metro Jornal e TV Band obtiveram nesta semana, acesso à escutas telefônicas realizadas pela PF (Polícia Federal) com autorização da Justiça e investigações do MP (Ministério Público), onde mostram que o prefeito Dixon Carvalho (PP) utilizava a empresa terceirizada de coleta de lixo, a Filadelfia Locação e Construção Ltda. – para distribuir cargos a aliados políticos e, por meio dela, receber pagamentos de propina.

As investigações tiveram início a partir do núcleo de Ribeirão Preto do Gaeco – braço do MP de combate ao crime organizado – para apurar suspeitas de fraude e dispensa ilegal de licitações, peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Por conta disso, os promotores passaram a monitorar um dos donos da Filadelfia, Carlos Alberto Oliveira e chegaram ao prefeito de Paulínia.

As escutas mostram que a Filadelfia chegou a abrir 85 cargos, que deveriam ser preenchidos por indicados do prefeito e de um grupo de dez vereadores.

A Filadelfia atuou em Paulínia em dois contratos emergenciais a partir de maio de 2017, que juntos, tiveram duração de seis meses. O custo foi de cerca de R$ 19 milhões. Uma nova licitação foi feita, mas a Filadelfia se manteve no município, desta vez como integrante de um consórcio chamado de "Paulínia sempre limpa", onde o valor do contrato seria de R$ 45,6 milhões.

Contratações em massa Uma escuta feita pelo MP no dia 19 de junho de 2017, às 17h51, deixa clara a utilização da empresa para acomodação de apadrinhados.

Os proprietários da empresa, Carlos Henrique de Oliveira e seu irmão, Sebastião Carlos de Oliveira, se mostram preocupados com a renovação do contrato.

Sebastião diz a Carlos Henrique: "Primeiro você diz ao secretário de obras que ele está meio reticente em renovar, mas que, em primeiro lugar, ele (prefeito) já chamou seu irmão (Sebastião) e já disse que vai renovar. E, segundo, que eles (Filadélfia) já contrataram 85 pessoas que o prefeito deu, que era sete de cada vereador (10 vereadores) e mais 15 do prefeito. E que agora ele (Sebastião) está com uma relação de mais 45 pessoas para contratar, pois ele (prefeito) vai renovar o contrato".

Primeira-dama Nos dias 25 e 26 de julho, foram obtidos novos diálogos sobre contratações, desta vez, o que seria uma indicação da mulher de Dixon. Carlos Henrique entra em contato com uma pessoa identificada apenas por Katerine – um administradora, mas que atuaria também como maquiadora – e a convida para uma entrevista. Carlos Henrique liga para Sebastião e diz que conversou "com a moça da primeira-dama".

Gravação flagra diálogo sobre entrega de propina Investigações da PF mostram que o prefeito Dixon Carvalho teria recebido propina de R$ 250 mil para fazer a contratação emergencial da Filadelfia. Conduzidas pela Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, as investigações mostram a atuação do lobista João Lima Filho – homem "com grande influência sobre diversos agentes políticos em inúmeros municípios de São Paulo", de acordo com avaliação da PF.

Na descrição da PF, Lima aparece como o representante de empresários junto a agentes públicos com o intuito de obter contratos públicos, fraudulentos e intermediando vantagens indevidas.

Segundo a Polícia Federal, em nome de um grupo de empresários, João Lima teria oferecido e entregado R$ 250 mil a Dixon, em troca de contratos públicos.

Em conversa com outro lobista, Lima afirma. "Pra ter uma base, Paulínia, a gente tá dando 250. É um puta de um contrato em Paulínia", afirma ele.

Dixon diz que já prestou informações à Justiça Em nota, o prefeito Dixon Carvalho nega as irregularidades e diz que já prestou informações sobre o assunto ao MP. O prefeito sustenta ainda que teve seu nome "levianamente pronunciado por terceiros e que medidas cabíveis já estão sendo tomadas judicialmente".

Sobre os cargos, ele diz que todas as empresas prestadoras de serviço na cidade são orientadas a realizar contratações por meio do Emprega Paulínia, um programa que tem como objetivo recolocar paulinenses no mercado de trabalho.

Os cidadãos interessados realizam o cadastro e os currículos são encaminhados para as empresas de acordo com o perfil profissional solicitado.

Dixon diz ainda que o valor do contrato de lixo na cidade chegou mesmo a ser reduzido.

O veículo Metro entrou em contato com os donos da Filadélfia, deixou recado nos telefones celulares, mas não obteve respostas até o fechamento da edição, João Lima não foi encontrado.

Fontes Metro Jornal/TV Band/Blog da Rose