Surto de sarampo corre risco de atingir a RMC

O último surto da doença no País ocorreu há cerca de 20 anos

O infectologista Arnaldo Gouveia, chefe do setor no Hospital Municipal de Americana (HM), Dr. Waldemar Tebaldi, alerta a população da Região Metropolitana de Campinas (RMC) sobre a necessidade de se vacinar contra o sarampo. A doença chegou a ser declarada como erradicada do País em 2016, porém já foram registrados casos em Roraima e no Amazonas em 2018. A prefeitura de Campinas também divulgou um alerta à população.

Na visão do infectologista, existe o risco de ocorrer um surto da doença neste ano, o que poderia atingir também a RMC.

"Com a quebra do sistema de saúde venezuelano, tivemos grandes surtos de sarampo, inicialmente nas comunidades indígenas e depois chegou a Roraima. De Roraima foi para Manaus, e está espalhando, por avião", explicou Gouveia.

O último surto da doença no País ocorreu há cerca de 20 anos. O médico ressalta que é necessária a conscientização das pessoas nesse momento. Para as crianças, a vacina contra o sarampo é composta de uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses (tetra viral) de vida. A imunização também protege contra caxumba e rubéola.

Os adultos devem consultar a carteira de vacinação. Para pessoas até os 29 anos, são duas doses, podendo ser da tríplice ou tetra viral. Dos 30 aos 49 anos é dose única, tríplice ou tetra. Quem já recebeu as duas não precisa se vacinar novamente. Se houver dúvida, procure a unidade de saúde mais próxima de sua residência.

Dificuldades

Conforme noticiado na última semana pelo Jornal TODODIA de Americana, o índice de imunização contra o vírus da poliomielite nas cidades da RMC está em 85,51%, abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 95%. Apesar do risco do vírus da doença que causa a paralisia infantil voltar a circular ser baixo, ele existe, segundo a Diretoria de Imunização do Estado de São Paulo.

Gouveia acredita que os baixos índices de procura por vacina estão relacionados com o número de vezes em que a pessoa precisa se deslocar até um posto de saúde para tomar todas as doses necessárias. "O esquema de vacinação no Brasil é um dos melhores do mundo, muito completo, mas o preço que está se pagando são as tantas vezes em que a pessoa tem que ir tomar. Pais e mães trabalham, fica complicado. (...) São 12, 13, 14 vezes no ano. É um dos esquemas mais completos e mais complexos", afirmou o infectologista.

"Uma coisa que ajudaria muito seria o governo ter mais vacinas multi. Fazer combinados para essas vacinas", ponderou.

Fonte TodoDia

(Ilustrativa): A imunização também protege contra caxumba e rubéola.

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