Estudo aponta que Paulínia e Americana tiveram queda nos níveis de ozônio durante greve dos caminhon

Os municípios registraram as maiores quedas nos níveis de ozônio, causador de doenças respiratórias

A greve dos caminhoneiros reduziu de forma importante os níveis de poluentes tóxicos prejudiciais à saúde, principalmente devido à impossibilidade de veículos circularem diante da falta de combustíveis. A constatação é do estudo divulgado, na última sexta-feira (13), pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade. Paulínia e Americana registraram as maiores quedas nos níveis de ozônio, causador de doenças respiratórias.

A concentração de outros dois poluentes - que representam também risco cardiovascular e até de câncer - também integram o relatório. Os dados analisados pelo instituto são da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A cidade de Campinas também se destaca entre as que mais apresentaram melhora na qualidade do ar. Segundo a diretora da entidade, Evangelina Vormittag, apesar da região ter um caráter industrial, a redução da circulação de veículos, principalmente os movidos a diesel, mostrou o quanto a fonte veicular é importante na poluição do ar.

"Mostrou que políticas públicas que atuam na mobilidade urbana podem trazer um benefício na poluição do ar, e não só a questão industrial", afirma a diretora.

O estudo considerou o período entre 21 de maio e 1º de junho e pretendia uma análise nacional da poluição, mas somente os estados de São Paulo e Espírito Santo apresentaram dados confiáveis de monitoramento do ar, segundo a instituição. A queda na concentração dos poluentes analisados foi de até 78%.

Ozônio

Em relação ao ozônio, 23 cidades possuem estações de medição da Cetesb no estado. Considerando os percentuais de redução, Paulínia - sede da maior refinaria da Petrobras, a Replan - teve 62,6% de queda.

Em seguida, Americana apresentou queda de 62,2 %. Campinas é a quarta com maior redução, de 59,2%. A queda média do poluente no estado foi de 46,2%, diz o estudo.

Segundo a pesquisadora, o ozônio é um poluente secundário, ele acontece na presença da radiação solar. O veículo emite o dióxido de nitrogênio pelo cano de descarga, principalmente os movidos a diesel. O dióxido se junta com o hidrocarboneto, eliminado em combustão de álcool, por exemplo, e junto com a radiação solar forma o ozônio.

Antes dos reflexos da greve, a concentração era superior ao limite permitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca a pesquisadora.

Em Paulínia houve, ainda, durante a greve, a paralisação da categoria dos petroleiros na Replan, que reduziu a produção, também provocada pela falta de condições de escoar os produtos.

Fonte G1

(Johnny Inselsperger/EPTV): Caminhões parados nas vias marginais à Rodovia Professor Zeferino Vaz em Paulínia durante a greve dos caminhoneiros.

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