Vereador Kiko Meschiatti se entrega à Polícia Federal

O parlamentar e um primo estão presos na cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas

Na noite da última quarta-feira (11), o vereador de Paulínia, Kiko Meschiatti (PRB) se entregou à Polícia Federal. Meschiatti foi condenado em segunda instância a quatro anos e oito meses de detenção em regime semi-aberto. O parlamentar é acusado de tentar repassar R$ 1,9 mil em notas falsas no comércio local junto com seu primo Éverson Meschiatti em 2004.

O vereador era considerado foragido desde o dia 22 de junho, após a expedição de um mandado de prisão contra ele pela Justiça Federal. Kiko e o primo estão presos na cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas, onde aguardam a transferência para uma unidade prisional.

A Câmara de Vereadores de Paulínia informou, em nota oficial, que, consta no regimento interno da Casa a previsão da perda do mandato em caso de condeção criminal transitada em julgado. No entanto, o Legislativo precisa receber a representação de algum vereador ou partido para que se instaure um procedimento específico, com direito a ampla defesa do parlamentar.

"Tal norma corresponde com a Legislação Federal que, recentemente, recebeu entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de que, o cumprimento da pena pode ter início a partir do trânsito em julgado em 2ª instância, como vem ocorrendo no caso em questão", diz o texto da nota.

No mês de junho, por meio de nota, Meschiatti, que disse ser inocente, contou que deu carona a um primo que desceu do carro para comprar cigarros. No estabelecimento, o primo foi acusado de repassar uma nota falsa de R$ 50,00. "Ele é réu confesso no processo. Eu sou empresário e pai de família, jamais me sujaria", argumentou o parlamentar na época.

Meschiatti diz estar sofrendo perseguição política porque tem denunciado o atual prefeito, Dixon de Carvalho (PP) e os anteriores: Edson Moura (MDB) e José Pavan (PSB).

"Não tem nada contra mim, nem multa. Eles estão trazendo isso a público para trazer desgaste porque querem me tirar do cenário político", disse ele.

O Jornal de Paulínia tentou contato com a assessoria de Kiko Meschiatti, mas até a publicação não obteve retorno.

Relembre o Caso

Vereador mais votado de Paulínia, Kiko foi denunciado pelo Ministério Público (MP) de introduzir, no comércio local, cédulas de R$ 50,00 falsificadas, em maio de 2004, em uma ação que teria a participação de uma prima, na época com 17 anos, e uma amiga dela, maior de idade. O TRF, em 2017, extinguiu a pena da amiga por prescrição da pretensão punitiva.

Segundo a denúncia do MP, o crime teria sido cometido em um comércio na Avenida José Paulino e foi flagrado por policiais militares, após denúncia de dois comerciantes que teriam recebido dinheiro falso da amiga. Os policiais abordaram o carro em que os primos estavam e encontram no porta-luvas outras 38 notas falsificadas de mesmo valor, além de R$ 362,00 em cédulas verdadeiras de outros valores, maços de cigarros, dois tabletes de chocolate, um cartão telefônico e um celular.

A prima adolescente e a amiga tentaram comprar cigarros em uma padaria e a nota foi recusada pela operadora de caixa. Na época, Éverson Meschiatti alegou à polícia ter obtido o dinheiro falso sem perceber a partir da venda de um computador por R$ 2,1 mil a uma pessoa, sobre a qual não soube informar nada além do primeiro nome. Kiko estava junto e a prima e a amiga teriam pedido uma carona depois da transação.

Em primeira instância, os dois tinham sido condenados à pena de seis anos e três meses de reclusão em regime semiaberto e 124 dias-multa cada, sendo considerado o valor do dia-multa 1/6 e 1/10 do salário-mínimo vigente à época do crime, respectivamente, enquanto a amiga foi condenada a quatro anos de reclusão em regime aberto e 72 dias-multa, sendo considerado o valor do dia-multa 1/10 do salário da época.

(Reprodução/EPTV): Meschiatti diz estar sofrendo perseguição política.