Denúncia da Polícia Federal aponta que secretário de Cosmópolis recebeu mochila de lobistas

Na quarta-feira (9), agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na Prefeitura de Cosmópolis

A denúncia da Polícia Federal (PF) com base nas investigações da Operação Prato Feito, que investiga 65 contratos suspeitos na área da educação em quatros estados, aponta que o secretário de Saneamento Básico de Cosmópolis, Celso Evangelista Martins, recebeu de lobistas uma mochila "contendo provavelmente dinheiro em espécie" que era destinada ao prefeito José Pivatto (PT).

Na quarta-feira (9), agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na Prefeitura de Cosmópolis. Em uma decisão do dia 16 de março, no âmbito da operação, a Justiça Federal determinou a imediata suspensão do exercício da função pública de Martins, com restrição ao acesso nos prédios públicos onde trabalha. A Prefeitura, no entanto, informou que não foi notificada sobre esta decisão.

Segundo a representação, no dia 28 de setembro de 2016, a entrega foi realizada a Evangelista em um encontro com Carlos Zeli Carvalho, o "Carlinhos", empresário e suposto líder de uma associação formada por empresas de diversos ramos para prestar serviços ao Poder Público e que negocia propina paga a agentes públicos; Leandro de Carvalho, o "Bode", irmão de Carlinhos e apontado como auxiliar dele na tarefa de agendar encontros para a entrega de dinheiro a políticos e assessores; e com Isaías Nunes Cariranha, citado como quem intermedeia as relações ilícitas entre empresários e agentes públicos e auxilia na entrega da propina.

O encontro foi rastreado, com escutas telefônicas, e alvo de vigilância da Unidade de Inteligência da PF, por meio de fotografias.

A PF entende que o secretário recebeu vantagem ilícita. Apesar disso, não foram encontrados contratos firmados com o chamado "Núcleo Carlinhos" e a Prefeitura de Cosmópolis. "Contudo, como já pontuado, não é necessária a formalização de contrato para a configuração dos delitos de corrupção ativa e passiva", ressalta a denúncia. Já em relação a Cariranha, foi identificado que uma empresa representada por ele tem contrato firmado com a administração municipal desde 2015, mas não foram identificados indícios de irregularidades nele.

(Reprodução/Polícia Federal): Segundo a PF, secretário de Saneamento Básico de Cosmópolis recebeu mala de lobista.

Busca e apreensão

A PF pediu a prisão temporária de Carlinhos, Carvalho e Cariranha por crime de corrupção ativa e do secretário por corrupção passiva, mas na fase desta quarta-feira da operação foram cumpridos apenas mandados de busca e apreensão.

Em Cosmópolis, foram cumpridos quatro. O objetivo é obter mais elementos para embasamento dos supostos crimes, segundo a Polícia. "Por fim, os elementos probatórios envolvendo os agentes públicos da Prefeitura de Cosmópolis são sólidos, ao que se encontram delineadas as fases 1 e 2 descritas no modus operandi das associações criminosas em comento visto que já temos indícios de corrupção ativa e passiva", finaliza a denúncia da PF.

O que diz a prefeitura?

A Prefeitura de Cosmópolis se manifestou em nome de Pivatto e Evangelista, em nota. O Executivo confirmou que a Polícia Federal fez buscas no Paço Municipal na manhã de quarta-feira e que elas são referentes a contratos de 2014 até 2018 das áreas de merenda escolar e materiais didáticos. E negou que haja relação entre o prefeito, secretário e lobista.

Sobre o encontro citado ou suposto repasse de dinheiro, inicialmente a assessoria negou que tenham ocorrido. Posteriormente, confirmou a reunião:

"Na data divulgada, 28 de setembro de 2016, Celso Evangelista Martins não tinha nenhum vínculo com a administração da Prefeitura Municipal de Cosmópolis, vindo a assumir como Secretário de Saneamento Básico apenas em 2 de janeiro de 2018. O encontro ocorreu durante o período eleitoral, antes de seu resultado. O empresário, assim como outros, procurou o então coordenador de campanha para apresentar a empresa e os serviços por ela oferecidos – assim como certamente fez com representantes de outros candidatos, tanto aqui quanto em outras cidades. Sendo assim, a mochila continha apenas material publicitário da empresa em questão e não dinheiro".

Fonte G1