Justiça de Paulínia suspende trabalhos da CP que investiga Dixon e 13 vereadores

O juiz suspendeu os trabalhos devido a comissão ter invertido a ordem dos depoimentos

A Justiça de Paulínia suspendeu na terça-feira (10) os trabalhos da CP (Comissão Processante) que investiga o prefeito Dixon de Carvalho (PP) e 13 vereadores por compra de votos. Com isso, os depoimentos que seriam tomados nesta quarta (11) e quinta-feira (12) estão suspensos.

Foi instalada uma CP – com dois parlamentares suplentes – para apurar omissão dos vereadores da cidade que teriam se recusado a investigar irregularidades cometidas pelo prefeito em troca de cargos. Os parlamentares que teriam poupado o prefeito conseguiram emplacar assessores contratados pela prefeitura.

O juiz Carlos Eduardo Mendes suspendeu os trabalhos porque a comissão composta pelos vereadores Tiguila (PPS), presidente, e pelos suplentes Robert Jacynto (PTB) e Paulo Camargo (PR), inverteu a ordem dos depoimentos: decidiu que iria convocar o prefeito, depois os vereadores, o denunciante e por fim as testemunhas arroladas pelos denunciados.

O magistrado determinou que a ordem dos depoimentos seja a seguinte: denunciantes, testemunhas e interrogatório dos denunciados com intimação prévia dos interessados e seus advogados com antecedência mínima de três dias. A comissão queria 24 horas.

Entrevista Robert Paiva

Em entrevista ao Jornal Mais Notícias, o suplente e componente da CP, Robert Jacynto falou sobre o andamento da Comissão.

“A CP não está nem andando, ela está correndo, nós, eu, o sargento Camargo e o Tiguila, queremos mostrar para a população de Paulínia a verdade de todo os fatos”, disse Robert.

De acordo com o suplente, Dixon Carvalho (PP) e os 13 vereadores já apresentaram a defesa, que se encontra em análise. Em seguida serão ouvidas as testemunhas.

Quando questionado pela veracidade da CP, por ela ser composta por suplentes, Robert afirma que, de acordo com a decisão judicial do dia 26 de março, eles se encontram legais em suas posições.

“Somos vereadores, é válida e está correndo, e aquilo que estava oculto será revelado”, afirmou.

Foi questionado também sobre a possibilidade de golpe político, para que os suplentes tomem o lugar dos vereadores. Jacynto afirma que nenhum suplente entrou com demanda judicial preiteando qualquer cadeira já ocupada. De acordo com Robert, essa é uma forma que eles [os vereadores] estão fazendo para se proteger, tentando propagar uma mentira.

“Se vierem a serem culpados, eles receberão a punição mais severa possível”, disse.

Robert Jacynto falou também sobre as ameaças por mensagens, o carro que o seguia e o boletim de ocorrência feito sobre isso.

“Isso não atrapalhou em nada. Eu não sou o tipo de pessoa que recua. Nós precisamos e devemos dar uma resposta para a população de Paulínia”, finalizou.