Consórcio de limpeza urbana recebeu R$ 9 milhões em três meses dos cofres públicos

A limpeza urbana de Paulínia é um dos serviços públicos mais reclamados pela população

Segundo dados do Portal da Transparencia Municipal, levantados pelo veiculo Correio Paulinense, o consórcio “Paulínia Sempre Limpa”, que é liderado pela empresa Cidade Nova Obras e Serviços, do empresário campineiro Geraldo Antonio Baraldi, recebeu, em números redondos, R$ 9.005.689,36 (nove milhões, cinco mil, seiscentos e oitenta e nove reais e trinta e seis centavos), entre 02 de janeiro e 19 de março.

As empresas Filadelfia Locação e Construção e Agreg Construção e Soluções Ambientais completam o consórcio responsável pela limpeza e coleta de lixo de Paulínia, desde novembro do ano passado. O contrato de doze meses está estimado em quase R$ 46 milhões.

(Redes sociais): Entulhos espalhados pela cidade tem sido a reclamação dos munícipes.

Insatisfação

A limpeza urbana de Paulínia é um dos serviços públicos mais reclamados pela população. Moradores de várias regiões da cidade postam nas redes sociais textos e imagens sobre a sujeira (mato, lixo e entulhos) que atingem, especialmente, os bairros da periferia.

Além do serviço prestado pelo Consórcio “Paulínia Sempre Limpa”, muitos cidadãos criticam também moradores que jogam todo tipo de lixo em locais públicos.

Problemas judiciais

O contrato do Consórcio “Paulínia Sempre Limpa” com a Prefeitura Municipal, foi assinado assinou no dia 6 de novembro de 2017. Três dias após, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) esteve na cidade para cumprir mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão contra várias autoridades municipais, entre elas, o prefeito Dixon Carvalho (PP), a primeira-dama Tatiana de Castro, o Chefe de Gabinete, Reginaldo Vieira e o secretário municipal de obras e serviços públicos, Valdir Terrazan.

Assessores da Prefeitura, dois vereadores do município e o empresário Geraldo Antonio Baraldi, dono da Cidade Nova, líder do Consórcio “Paulínia Sempre Limpa”, também foram levados coercitivamente para depoimento no Ministério Público (MP) de Campinas.

Batizada de “Purgamentum”, a operação do Gaeco investiga supostos contratos fraudulentos de lixo em Paulínia e outras cidades paulistas. Promotores do Gaeco apreenderam documentos, computadores e dinheiro, inclusive na casa do prefeito Dixon (PP). No dia da operação, Carlos Henrique Oliveira, um dos donos da Filadélfia, encontrava-se no escritório da empresa em Paulínia e acabou preso pelo Gaeco. Segundo o MP, a Filadelfia é suspeita de liderar o esquema investigado.

Já no dia 21 de novembro passado, a juíza Marta Brandão Pistelli, da 2ª Vara Cível de Paulínia, suspendeu a licitação vencida pelo Consórcio “Paulínia Sempre Limpa”. Segundo a decisão da juíza, a Agreg Construção e Soluções Ambientais não teria preenchido requisitos legais, portanto, não poderia formar o consórcio. A ação, responsabilizando o prefeito Dixon (PP) e o Presidente da Comissão Municipal de Licitações pela suposta irregularidade, segue tramitando na Justiça.

Na esfera eleitoral, Geraldo Antonio Baraldi, amigo pessoal de Dixon Carvalho, foi apontado como principal financiador da campanha à Prefeitura de Paulínia, em 2016. O mega empresário campineiro e homem de confiança do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB) apareceu no processo de prestação de contas da campanha de Dixon (PP) como comprador de terrenos pertencentes à empresa de Benedito Carvalho, pai do prefeito, que teria repassado parte do dinheiro da venda à campanha do filho.

Após analisar os extratos bancários de Dixon (PP), Benedito e Baraldi, o Ministério Público Eleitoral (MPE) de Paulínia concluiu que, na verdade, a venda foi simulada para dar origem aos R$ 681.500,00 que o então candidato a prefeito declarou à Justiça Eleitoral como sendo recursos próprios.

Além das contas de campanha reprovadas, Dixon (PP) teve o mandato e os direitos políticos cassados pelo juiz eleitoral de Paulínia, Carlos Eduardo Mendes. O prefeito recorreu da decisão no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), que deve julgar o caso em breve. Até lá, Dixon (PP) governa o município na condição de prefeito cassado.

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) já se manifestou contrária ao recurso do prefeito de Paulínia: “A fraude é comprovada”, disse o procurador Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, sobre a “compra e venda de imóveis” para abastecer o caixa eleitoral de Dixon (PP).

Fonte Correio Paulinense

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