Dixon e treze vereadores são denunciados na Procuradoria Geral de Justiça de SP

Aristides Ricatto denuncia uma negociação de cargos em troca de votos contra abertura de Comissão Processante

Na quinta-feira (16), em entrevista ao Mais Notícias, o ex-secretário de governo da atual administração, Aristides Ricatto, denunciou o atual prefeito de Paulínia, Dixon Carvalho e mais 13 vereadores no crime de organização criminosa, corrupção ativa e passiva.

De acordo com Ricatto, Dixon e os vereadores teriam negociado cargos em troca de votos durante a sessão em que foi votado o pedido de abertura de uma Comissão Processante para investigar o contrato emergencial da merenda.

“O prefeito na época que entrou as duas CPs (Comissão Processante) na Câmara Municipal, pra segurar a não aprovação, ele me pediu para que fizesse uma negociação com os vereadores. Pediu para que eu oferecesse aos vereadores 9 cargos para cada um, em contrapartida eles rejeitariam a CP. Eu não concordei com o ato dele, esse foi um dos motivos pelo qual começou a discórdia entre nós dois. Isso não é justo e é contra a Lei”, disse o ex-secretário.

Após o pedido de Dixon, negado por Ricatto, o mesmo descobriu que uma pessoa de Paulínia havia recebido em sua residência, um envelope com vários currículos. Somando no total 67 currículos, de pessoas que estariam sendo indicadas por cada vereador.

“Eu pedi para que essa pessoa fosse ao cartório em Campinas e registrasse esses currículos antes de baixar a portaria, e isso foi feito” afirmou Ricatto.

Segundo a denuncia protocolada na Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo, no departamento que investiga crimes de Prefeitos, cada vereador recebeu 9 cargos para votar contra a abertura da Comissão Processante que investigaria o prefeito Dixon.

O ex-secretário disse ainda que os únicos que não foram contemplados com os cargos, e não fizeram parte dessa negociação foram os vereadores Kiko Meschiati e Tiguila Paes.

“Esses cargos não são necessários pra administrar a cidade, Paulínia tem outras urgências e prioridades. Os cargos foram somente negociados para comprar os vereadores. Para os vereadores é mais fácil fechar os olhos e olhar seus interesses pessoais, e eles foram eleitos pra exatamente fiscalizar o executivo. Essa é a missão do vereador, e ele só é eleito com essa finalidade”.

Os salários dos comissionados variam entre 4 mil e 11 mil reais e, podem custar por ano quase 5 milhões de reais aos cofres públicos.

Na entrevista, Ricatto ainda afirma que nada justifica o Ministério Público dizer uma coisa e os vereadores outra e que tem provas fortes de que os 13 parlamentares trocaram os cargos por votos.

“Os vereadores vão saber agora o peso, porque tenho provas. Além dos currículos, tem outras coisas mais que foram apresentadas no processo. Eles vão ter que responder pelos atos deles, essa que é a grande verdade. Fazer de conta que é vereador é muito fácil, enganar a população mais humilde e simples também, mas eu quero ver enganar a Justiça e uma pessoa como eu, que tem conhecimento dos fatos” finalizou Aristides Ricatto.

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